Comida de gripe? Canja! Jl?
Os portugueses trouxeram do Oriente para o Brasil essa
sopa aguada de arroz com galinha, conhecida no mundo
inteiro por suas propriedades benéficas para adoentados e
convalescentes.
Canja vem do kanji indiano e do congee chinês, papas mais
ou menos ralas de arroz cozido por muitas horas, geralmente
servidas em seus países de origem pela manhã, no
desjejum, como alimento nutritivo e leve ao mesmo tempo.
Os que estão de dieta comem só a papa, ou adicionam
a ela alguma substância medicinal. Os que estão de bem
com a vida vão agregando quitutes vegetais e/ou animais,
de modo a ter uma refeição mais rica.
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Na China você acorda e vai a qualquer lanchonete comer
congee. Escolhe e coloca numa tigela vegetais, ovos e/ou
pedacinhos de carnes ou peixes, tudo cru. O caldo de arroz
entra por cima tão quente que os ingredientes ficam
cozidos o bastante para uma boa digestão, mas não a ponto
de perderem vitaminas e enzimas.
Nos mosteiros Zen, linhagem budista que se desenvolveu
no Japão, a papa de arroz se chama okaio e é servida no
desjejum com repolho ou acelga (couve chinesa), refogados
com óleo de gergelim e shoyu; gersal e salsa por cima;
a sobremesa é um pedaço de conserva de nabo, e uma taça
de banchá encerra os serviços. Comida para manter o corpo
tranqüilo e ajudar a esvaziar a mente.
O longo tempo de cozimento torna as papas de arroz, como
de outros cereais, muito fáceis de digerir e absorver. São
balsâmicas para os intestinos e limpam os rins. O leite de
arroz, que se obtém coando a papa ou colhendo o creme
que fica no alto, é uma bebida deliciosa e nutritiva.
A papa de arroz suplementa o aquecedor médio e aumenta
o Chi, fortalece o baço e harmoniza o estômago. O fato de
ter ficado no fogo tanto tempo, sendo um alimento tão
leve, dá uma reserva de calor ao organismo. Por ser cozida
com tanta água, melhora os fluidos necessários ao estômago
e aos intestinos, e faz isso sem produzir umidade e muco.
É considerada alimento ideal para pessoas idosas, que poderiam
comer as papas o dia inteiro, a qualquer hora,
mantendo assim o corpo forte e o estômago e os intestinos
limpos. Um velho sábio chinês dizia: "Entre as melhores
comidas sob o céu, não há nada que exceda os grãos e
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também nada que supere a comida suave." Na Medicina
Tradicional Chinesa, a papa de arroz é considerada a mais
fundamental das comidas terapêuticas.
Buda, no Livro da Disciplina, enaltece os poderes da papa
de arroz, que comia com leite (atenção: cru, orgânico e tirado
na hora) e mel: "Dá 10 coisas aos que a comem — vida e
beleza, facilidade e força. Dissipa fome, sede evento. Limpa
a bexiga. Digere a comida. E louvada pelo bem-aventurado."
Aqui, a papa de Buda virou canjica de milho, mungunzá,
arroz doce...
Modo de fazer
A papa de arroz, ou congee, pode ser feita com 5, 6, 8 ou
mais partes de água para uma de arroz; podendo esse arroz
ser branco, integral ou moti, e ainda painço, trigo, cevada,
milho; podendo ou não acrescentar 10% de feijão azuki,
feijão moyashi (verde) ou soja preta. Esta é também a receita
básica do leite de cereais que se faz para nutrir bebezinhos
que estão sendo desmamados (a partir de 6 meses), e nesse
caso a papa deve ser passada na peneira.
Lave os grãos que vai usar e deixe de molho na véspera.
Isto já os deixa mais fáceis de digerir. E cozinhe a papa...
...no fogão: baixar o fogo assim que ferver e cozinhar 3
horas ou mais, se possível em panela grossa, ou com uma
chapa de ferro ou pedra por baixo
...no forno: em caçarola tampada, por 2 a 4 horas
...na sloiv cooker elétrica: uma noite em temperatura baixa.
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Canjas para gripe e resfriado
Arroz moti com gengibre e cebolinha verde
Indicada no estágio inicial de um ataque externo que resulta
em mal-estar e dores generalizadas, aversão ao frio,
temor de calafrios e sintomas semelhantes. Conceito medicinal
chinês: difunde o exterior e elimina toxinas.
100 g arroz moti (arroz japonês glutinoso)
15 g gengibre fresco
5 bulbos de cebolinha verde (bulbo e folhas)
Cozinhar o arroz em 8 partes de água por 2 a 4 horas ou
mais, socar as cebolinhas e o gengibre num pilão até ficarem
bem desmanchados, misturar à papa, aferventar
ligeiramente e ir tomando o quanto quiser. Faz suar, melhora
o estado geral. Cobrir-se e repousar.
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Caldo de galinha
Ajuda a melhorar mais rápido porque é rico em cisteína,
um aminoácido que pode fazer o muco dos pulmões ficar
mais ralo e menos grudento para ser expelido facilmente.
Tem que ser caldo caseiro, quente e apimentado: o calor e
os temperos vão ajudar a mover os fluidos para fora e a
expectorar. E galinha caipira, criada sem antibióticos e substâncias
químicas, ou seja: comendo minhoca e namorando
o galo até ficar bem velhinha e generosa.
A pimenta vermelha pode ser usada ao natural, em conserva
ou em forma de chili, tabasco ou páprica picante, na
canja ou em outra sopa junto com bastante alho, assim
que a gripe encostar, para um resultado antibiótico,
antiviral e altamente suadouro. Expulsa o fator externo da
gripe e faz a energia circular.
Canja de arroz e galinha
Nutre as cinco vísceras e suplementa o Chi e o sangue.
Especial para dismenorréia devida a vazio de chi e sangue
e fraqueza pós-parto.
100 g arroz
1 galinha caipira
Ferva a galinha em água até ela desmanchar. Coe, deixe
esfriar o caldo, retire a gordura e reserve. Faça a papa normalmente
com arroz e água. Quando estiver quase pronta,
junte o caldo de galinha, cozinhe mais um minuto e sirva.
Caldo de rã
Tomado em jejum, durante sete dias, o caldo de rã limpa
pulmões e intestinos e restaura a flora intestinal, ajudando
a sair de quadros pulmonares graves. O médico e escritor
Pedro Nava, num de seus livros de memórias, conta que se
salvou da tuberculose com caldo de rã.
2 ou 3 rãs limpas
1 litro de água
Cozinhar durante 40 minutos ou mais, em fogo baixo e
panela tampada. Coar e guardar na geladeira por três ou
quatro dias. Ferver bem antes de tomar. Depois dos sete
dias, parar uma semana e repetir o tratamento.
Sopa/canja de arroz do Pai José
Para tomar somente no período primavera/verão e limpar
o intestino, desintoxicar, perder peso e evitar muco no inverno.
Enquanto outono e inverno são próprios para
armazenar e consumir o que se guardou, primavera e verão
levam o movimento para fora e convidam a limpar e
renovar o corpo e a mente.
1 xícara de arroz integral
8 xícaras de água
1 cebola picada
3 dentes de alho inteiros
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2 talos de aipo cortados
1 alho-poró com suas folhas, em diagonais finas
folhas de bertalha
salsa, cebolinha, coentro, hortelã
sal
Ponha tudo junto para cozinhar por 3 horas, menos a
bertalha e os verdinhos frescos, que só entram na hora de
apagar o fogo. Se estiver fazendo para sobrar, só misture
bertalha e verdinhos ao que vai ser servido.
Um minuto antes de apagar o fogo junte as folhas de
bertalha ou chicória. Sirva com verdinhos frescos, picados,
por cima (salsa, cebolinha, coentro, hortelã).
A bertalha pode ser substituída por chicória ou outra folha
local que ajude a lubrificar os intestinos.
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